Setor deve ter política de Estado e não de governo, dizem convidados

Agenda Araraquara 2017 debaterá, nesta quinta-feira (24) o empreendedorismo social

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Leandro Morais: Professor da Unesp e consultor da OIT/ONU é um dos integrantes da mesa (Foto: Divulgação)

 

No Brasil, o empreendedorismo social existe, tem histórias inspiradoras, mas ainda precisa de um arcabouço jurídico para se efetivar. A constatação foi feita pelo professor da Unesp Araraquara, economista e consultor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e das Nações Unidas, Leandro Pereira Morais.

“Muitas das empresas que existem no Brasil funcionam sem um caminho jurídico muito claro e a criação dessa estrutura legal deveria ser o nosso próximo passo”, afirmou.

Esse “arcabouço jurídico”, como disse Morais, deve ser uma das partes mais importantes de uma política de Estado que deve ser criada no país para área de empreendedorismo social, em contrapartida às atuais políticas de governo. “Hoje, não existem garantias de continuidade de políticas”, disse.

Morais é um dos integrantes da mesa do Agenda Araraquara 2017, que vai discutir, nesta quinta-feira (24), o empreendedorismo social.

Ao seu lado, vai estar o gerente regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Fernando Amêndola Sanches.

Pós-graduado em administração de empresas e especialista em gestão de pessoas pela FGV, ele concorda que é necessário definir, juridicamente, o que é uma empresa social.

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Fernando Sanches: Gerente regional do Sebrae completa a mesa do Agenda Araraquara 2017 (Foto: Divulgação)

 

Lá fora

Para Sanches, é exatamente a presença desse conjunto de leis que faz com que, nos países desenvolvidos, (europeus, EUA, Canadá e Coreia do Sul) o empreendedorismo social tenha como principal característica o aprimoramento de ganhos sociais já existentes. No Brasil, não. “Aqui, esse tipo de iniciativa existe para suprir algumas condições e direitos que uma grande parcela da população não tem acesso, como educação e qualidade, cultura, esportes, informação, segurança, saúde etc.”, disse.

“Me parece que a diferença primordial entre o tipo de empreendedorismo social que existe lá fora e o que praticamos no Brasil está aí”, completou.

Atenção: empresário social não é um filantropo

Tanto para Fernando Sanches como para Leandro Morais, há um outro ponto que o país e, em especial, a sociedade, ainda tem de superar: empreendedorismo social não é filantropia e um empreendedor social é, antes de mais nada, um empresário.

“Existe uma certa confusão, uma visão turva, de que quem atua nessa área está explorando uma carência para ter o seu ganho. Em outros países isso já foi superado e o empreendedorismo social faz parte do cotidiano dessas comunidades. No Brasil, é uma ideia que pode dar muito certo, mas que ainda depende de quebrar alguns paradigmas”, afirmou.


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